Roubo de carga nas rodovias federais: dados consolidados da ANTT mostram padrão regional
Levantamento setorial aponta concentração de ocorrências em eixos específicos e reforça demanda por proteção veicular entre transportadores autônomos.

O roubo de cargas segue sendo um dos principais vetores de custo operacional para o transporte rodoviário de cargas no Brasil. Levantamentos setoriais mostram que as ocorrências continuam concentradas em um pequeno número de eixos rodoviários, com destaque para trechos da BR-116 entre Rio de Janeiro e São Paulo, da BR-153 no Tocantins e do entorno da Região Metropolitana de São Paulo.
Apesar da melhora tecnológica — rastreadores, isca eletrônica, escoltas privadas e integração com polícias estaduais —, o número absoluto de ocorrências segue alto. A heterogeneidade entre regiões é significativa: enquanto estados do Sul mostram quedas consistentes em ciclos recentes, a região Sudeste mantém concentração elevada por causa do volume total de cargas movimentadas.
Cargas mais visadas
Alimentos, eletroeletrônicos, cigarros e medicamentos seguem como as categorias mais visadas. Em paralelo, cargas de combustível e insumos agrícolas têm crescido proporcionalmente nos registros, especialmente em regiões de fronteira agrícola. O perfil criminoso varia de ação oportunista — onde a carga é revendida localmente em redes informais — até operações sofisticadas com logística própria, incluindo galpões de triagem e rotas de fuga pré-planejadas.
A gente tem um quadro em que a maior parte do risco segue concentrada em poucos corredores. O caminhoneiro autônomo que roda nesses eixos precisa investir em camadas de proteção, porque quem atua nessa área dificilmente escapa da exposição.
Impacto sobre o autônomo
Para o transportador autônomo — que representa parcela expressiva da frota rodoviária brasileira —, o impacto é especialmente duro. Diferente de uma grande transportadora, que pode absorver um evento dentro do resultado anual, o caminhoneiro autônomo tem o próprio veículo como principal ativo. Perdê-lo em um roubo significa, muitas vezes, interromper a atividade profissional por meses ou de forma definitiva.
A demanda por proteção veicular por associação cresceu nesse ambiente. Associações como a Proteauto operam com modelo de rateio entre associados e costumam oferecer mensalidade mais baixa que o seguro tradicional, o que tem atraído especialmente os autônomos que enfrentam maior dificuldade de aceitação nas seguradoras convencionais.
Estratégias de mitigação
Especialistas em segurança logística apontam um conjunto de práticas hoje consideradas básicas para quem roda nos eixos de maior risco: rastreador obrigatório, planejamento prévio de paradas em pontos de apoio seguros, restrição de rodagem noturna em trechos específicos, comunicação periódica com o embarcador e atenção a abordagens por pedestres ou veículos suspeitos nas praças de pedágio e postos de combustível.
Nenhuma dessas medidas zera o risco, mas a sobreposição delas reduz significativamente a janela de oportunidade para a ação criminosa. E é essa sobreposição que torna o investimento em proteção veicular não apenas uma despesa, mas uma peça do modelo de negócios do próprio transportador.